Olá
Aikidokas e Interessados nessa arte.
O presente depoimento espera encorajar aqueles que acham que já
nascemos sabendo e que somente a alguns é possível desenvolver
determinadas habilidades. Assim, espero que, identificados com o relato
a seguir, outros possam superar essa ansiedade e insegurança iniciais
e descubram o harmoniosos caminho do Aikido.
Depoimento
sobre a primeira aula de aikido em fevereiro de 1996.
Motivo:
1. Inquietada pela inatividade física a que estava sujeitando-me
após ter concluído curso superior há 12 anos;
2. Sentindo-me constantemente sem energia para as atividades rotineiras
necessárias à sobrevivência do corpo e do espírito,
sem contudo ter paciência para freqüentar as “passarelas
das academias” que malham músculos mas não flexibilizam
a mente;
3. Instigada por um amigo – Jairo - praticante de artes marciais
e que conhecia informações sobre AIKIDO praticado por um
colega do TRT.
Impressão
da Primeira Aula:
Jairo me convenceu a fazer uma aula de experiência e combinamos
para a manhã do dia seguinte nos encontrarmos na Academia Wado-kan.
No horário marcado eu compareci, mas meu amigo não. Como
eu já estava lá, resolvi não desperdiçar a
oportunidade. Vestindo um abrigo de moleton e uma camiseta entrei pela
primeira vez em um tatame. Lá encontrei o responsável pela
turma daquele horário – Carlos Grisalt – graduado na
faixa azul e que era nosso colega de trabalho no Tribunal. Também
estava outra colega, Adriana Maria Ramos, que foi logo me dando boas vindas.
Parecia que eu estava em um ambiente familiar.
Carlos informou que no AIKIDO se aprende por observação
e que o tempo de aprendizado é o próprio ritmo do praticante,
sempre tendo que ser respeitado a capacidade e as limitações
deste.
Logo no início fui orientada a sentar-me em “seiza”
(sentada sobre os joelhos), alinhada com os demais praticantes por ordem
de graduação e/ou antigüidade. Fizemos reverência
à uma fotografia do fundador do AIKIDO – Morihei Ueshiba
– batemos duas palmas, silenciamos em recolhimento por alguns segundos
(poderia ser uma oração ou apenas um esvaziar da mente,
para eliminar a ansiedade) e voltamos a bater as duas palmas. Depois nos
cumprimentamos pedindo licença para iniciar o treino dizendo “Onegaishimassu”.
A aula consistiu em exercícios de alongamento e estimulação
do corpo, por cerca de 30 minutos, como um “despertar” para
os momentos seguintes. Imaginei que no dia seguinte eu pagaria caro por
tanto exercício...
Depois iniciamos os movimentos básicos necessários ao aprendizado
das técnicas – “katas”. A partir deste momento,
fiquei frente a frente com a minha descoordenação, minha
timidez e dificuldade em “expor” a minha fragilidade. Parecia
que todas as minhas limitações resolveram se apresentar
justamente naquele momento. Os colegas e o professor apenas me “encorajavam”
dizendo: “...é sempre assim, foi assim mesmo com todos nós
e continuará sendo assim... este é o bom do AIKIDO, aqui
nós podemos estar/ser completos, podemos trabalhar, em um ambiente
de harmonia e cooperação mútua, nossas limitações,
dificuldades, medos, insegurança, timidez, etc. Aqui, nós
somos nossos próprios avaliadores, não há competição,
não precisamos derrotar alguém para sermos considerados
vencedores, não precisamos provar algo aos outros ou à sociedade,
precisamos conhecer e superar a nós mesmos. O Sensei sempre diz
que ninguém ensina algo a alguém, as pessoas é que
aprendem. O Sensei é a referência neste aprendizado e o AIKIDO
é o caminho nesta busca.”
Imaginei mil formas de sistematizar o aprendizado para facilitar o entendimento,
uma vez que os termos que nomeiam os katas são em japonês.
Contudo, nas aulas seguintes, descobri que não há uma seqüência
no método de ensino, sendo que uma aula nunca é igual à
outra e não guarda qualquer relação com a que a antecede.
Ou seja, tive que aprender a viver o momento com a intensidade total e
mergulhar no mais íntimo do meu ser...”
Concluindo,
disciplina e treinamento em harmonia faz-nos transcender o que julgamos
equivocadamente ser nosso limite!! Gambatekudasai Doso!!!
Sandra
Y.T. Laitano
Faixa Preta Terceiro Grau de Aikido
Instrutora do Kawai Shihan Dojo
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